sábado, 18 de outubro de 2008

Da natureza do "Tudo bem" por Daniela Duarte

Da natureza do “ tudo bem”

Da natureza do “ tudo bem”
Com freqüência escuto das pessoas “Tudo bem!”.
A expressão “Tudo bem” virou um termo automático de repressão que esconde a verdade sobre como estamos sentindo nossas vidas.
Funciona como um emplastro que tenta aliviar a dor externa que se localiza internamente. Simplesmente nos utilizamos dele para que nem mesmo vejamos , que enquanto estamos afastados e inseridos dentro do medo, nada está bem.
Se precisamos andar, então que o corpo ganhe energia para andar. Se precisarmos libertar outras pessoas do nosso convívio, porque estabelecemos ao logo de nossa jornada essas relações viciados no medo, então que a mente retome sua maestria e nos guie pelo caminho da sabedoria e da compaixão que nossa essência não cansa em nos relembrar diariamente.

Porque a verdade é que podemos receber do mundo toda a confirmação de que o normal é ser feliz, todo o resto é apenas uma distração de si mesmos.
Não digo que as coisas não estão bem da maneira como estão.
Tudo em verdade está bem dentro de sua própria natureza, mas o tudo bem que me refiro está ligado a uma farsa que estamos criando a nós mesmos que se apóia na idéia e não na prática. Fato é de que cada aprendizado adquire tantas formas quantas existir no planeta para se manifestar, e isso independendo das nossas expectativas ou mesmo vontades, se julgamos como bons ou ruins aprendizados , ou mesmo do quanto evitamos ou nos esforçamos para atrair novos desafios.

Então pergunto; tudo bem?
Quando o que estamos fazendo é mentir para nós mesmos
de que essa forma é real. Então tudo bem?
Porque na verdade estamos nos afastando de expressar
o que acontece dentro dos nossos corações.
Então tudo bem?
Quando o medo de nos colocarmos diante
dos outros dentro do que estamos escolhemos,
nos amedronta ainda mais.
Então tudo bem?
porque sim o que estamos escondendo é apenas uma
casca muito frágil que se protege atacando a si mesma?
Então tudo bem atacar e culpar a si mesmo,
porque assim eu não estou fazendo com meu vizinho?
E que se blinda, mesmo quando têm boas intenções
em salvar os outros ao redor, enquanto quem está morrendo é o si mesmo da pessoa? Então tudo bem quando a verdade é que nada bem está?
Tudo bem! Tudo está bem.

Admitir que não está bem não é uma fraqueza, ao contrário é um alívio, um bálsamo para o coração que já se entende curado em poder ser de verdade. Porque retira do mundo o esforço de manter uma máscara, e não é uma mascara que está querendo apenas aprovação externa, é uma máscara que impede que a essência venha à tona.

Nos enganamos quando achamos que os pequenos vícios são inofensivos, sejam vícios da fala, do comportamento ou mesmo nas relações, e entendo por vício tudo o que padronizamos dentro da vítima enquanto não conseguimos por em prática o que já sabemos para que haja a cura.Acredito que os pequenos vícios, acabam por acumulo sendo os mais severos porque mantém uma aparência de normalidade enquanto se enraízam mais profundamente.
Saber só não basta.

Observe sua estante de livros, nos orgulhamos toda vez que olhamos para ela porque nos dá a impressão de que praticamos todo o conhecimento que adquirimos, e às vezes também nos viciamos em adquirir mais e mais conhecimento.

Sedentos de um saber ilusório. Se observe conversando com outras pessoas, você sempre tem as respostas para tudo, e se não verbaliza diretamente em seu íntimo você pensa que tem e isso não impede que você ainda caia carregado com as mesmas sombras.
A quantidade de energia que gastamos para manter vivo esse ser inanimado é tão grande que decidimos por preguiça deixar para depois. E assim vamos deixando para depois a si mesmos.

Vamos deixando para depois a liberdade. Vamos deixando para depois a verdade. Vamos deixando para depois, buscando adquirir mais coragem e mais energia a vida. Vamos deixando para depois o que precisa ser feito para que possamos viver no estado pleno que o amor trás. Vamos deixando para depois , porque no futuro tudo se resolverá? Vamos deixando para depois nosso corpo físico, vamos deixando para depois as nossas escolhas, vamos deixando para depois porque temos a crença de que o depois verdadeiramente existe.

O choque então acontece e está na verdade porque ela é implacável com as ilusões. Se intentamos pela verdade o que teremos será a verdade, se não soubermos o que fazer com a verdade em nossas mãos viramos alimento do medo, que nos destruirá sem piedade.

Nesse caminho, ao contrário do que o ego diz para permanecer reinando, se não houver sobriedade, ação junto com o conhecimento, implacabilidade com os medos e vontade clara de cura, nos despedaçaremos em torno da luz sem nem ao menos lembrar que um dia queríamos viver o simples sem condições dentro do amor.
Assim disse
Assim desabafo
Coruja das Raízes da manhã
Ahow!

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